Mosaicos
Um piso de ladrilho hidráulico é tudo de bom, você não acha? O ambiente fica clássico, despojado, criativo. E pode misturar, sem medo, qualquer dose de modernidade com aquele ar de tradição, de casarão colonial. Acho sensacional.
O mais legal do ladrilho hidráulico são as infinitas possibilidades que ele proporciona, visto que as emendas podem ser feitas de diferentes formas e tem uma infinidade de padrões que podem, inclusive, ser criados por encomenda.
É um sem fim de variáveis, como uma paleta de cores a ser misturada, descoberta, desvendada. Um mote e tanto para as artes plásticas. Um mote na medida da sensibilidade do cirurgião plástico – e artista idem – Isaac Furtado.
Observador atento, daqueles que têm o dom de olhar para além do espaço físico por onde passam em seu cotidiano, o médico produziu um belo resgate histórico e artístico da Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza, através de poemas, fotos e pinturas. Seu enfoque e inspiração foi o piso de ladrilhos hidráulicos daquela instituição.
O resultado deste trabalho está belamente reunido no livro Mosaicos da Misericórdia. As obras que ilustram este post fazem parte desta coleção Mosaicos, da autoria do Dr. Isaac Furtado. Selecionei para compartilhar com você. Bacana, não?
Pequenas revoluções
Cada decorador tem seu start, ou salto criativo, assim como sua zona de conforto, o estilo onde navega com mais relax e prazer. Missoni Home consegue não só unir estes momentos como também fazer uma pequena revolução entre eles. Acho sensacional esta característica!
A marca – quase uma unanimidade entre fashionistas e decoradores – traz uma concepção superdiferenciada em decoração de interiores. É que fica praticamente impossível não usar o tecido como ponto de partida para a ambientação. O zigue-zague mais famoso do planeta, com seu design alegre e cheio de personalidade, chama para si todas as atenções, coabitando na maior harmonia com as demais padronagens da marca, e com os mais variados estilos de decoração.
Em parceria com a T&J Vestor e capitaneada por Rosita Missoni, a Missoni Home reinventou a visão da indústria de tecidos para decoração a partir do conceito de coleções. Em outras palavras, a Missoni chamou a moda, literalmente, para casa. E ela veio. Segundo a diretora criativa da marca, a ideia de montar a Missoni Home surgiu quando ela percebeu que a casa podia ser tratada como a moda, pois ela também se vestia de tendências e poderia ter coleções.” Em outra afirmação sua, podemos sentir com clareza o seu estilo e também perceber as cores de uma forma, no mínimo, diferente: “Sem preto e branco, eu não posso começar a falar sobre cor”, diz Rosita Missoni, uma inquieta e criativíssima matriarca, do alto dos seus 80 anos.
As imagens que selecionamos para você aqui no Ouvidoria mostram as coleções “CentoCinquantaSei” e “CentoSettanta”, da Missoni Home. Estas e outras coleções você encontra na Tecidos Ouvidor, revendedor exclusivo em Fortaleza. Basta uma visitinha na loja para você se surpreender com os tecidos e se deixar levar com as possibilidades de decoração que eles “chamam”. Mas antes, volte um pouquinho acima e dê uma boa curtida nestas fotos. Repare na deliciosa harmonia entre tons e padronagens.
Aquilo que falei ali no início do post, sobre as pequenas revoluções entre os saltos criativos e as zonas de conforto, lembra? Não consigo deixar de pensar nisto quando vejo estas imagens. Adoro!
Discretíssimos heróis
A empresa Hi-Cone lançou um sistema de embalagem pack, simples e superprático, que com certeza facilitou a vida de muitas pessoas mundo afora. Foi um sucesso. Porém, como outros tantos lançamentos superpráticos que fazem parte irreversível de nosso dia-a-dia, este também foi um sucesso, digamos, discretíssimo. Um herói discretíssimo. Praticamente oculto.
Daí, em homenagem a estes tantos e tão discretos heróis, a Hi-Cone, em parceria com o museu alemão Vitra Design, selecionou dezenas destes objetos e os relacionou em um tour delicioso, onde você encontra a história de cada um: quando, como e por quem foi inventado, essas coisas. É muito legal fazer uma visita por lá e ver a história, por exemplo, da dona Melitta Bentz, que em 1908 inventou um filtro de papel que até hoje faz parte – discretíssima, aliás – do nosso café da manhã de cada dia.
Além do site superbacana, os objetos em questão ganharam também uma exposição. Pois é. Até junho deste ano, o Museu da Ciência, em Londres, exibe a expo Hidden Heroes. Mais do que merecida, a mostra. Afinal, estes pequenos heróis, que permeiam nosso cotidiano de forma tão discreta, são resultado de muita observação, estudo, desenvolvimento de materiais e muito mais. Eles são uma mostra viva dos progressos reais da tecnologia, dos processos e do design industrial. São pitadas diárias e realistas de nossa – ahn… – civilização e modernidade. Já pensou?
Será que depois de uma visita aos links aqui indicados você vai olhar da mesma forma para os seus prendedores de roupa, seus clipes, seu querido post-it? Confesso que estou encarando estes heróis ocultos com um pouquinho mais de respeito e admiração…
PS.: Ah, não se esqueça de deixar aqui a sua opinião sobre o post. Ou sobre o post-it, tanto faz.
Stone
O ano inicia no Ouvidoria com a rara simplicidade que só as pedras preciosas – e o design – conseguem oferecer. E com aquele toque de leveza que faz toda a diferença, claro!
O banquinho Stone, do aclamado designer Marcel Wanders, para a Kartell, é um ótimo exemplo dessas qualidades. Criado a partir de um molde único em policarbonato, com a superfície multifacetada (como uma pedra caprichosamente lapidada), é uma peça que destaca o ambiente – tipo uma jóia, mesmo.
O Stone cria efeitos de luz e jogos de cores bastante surpreendentes (suas cores, inspiradas nas pedras a que fazem referência, recebem seus nomes – como cristal, âmbar, opalina…). E traz um toque todo especial para áreas internas ou externas, compondo com precisão os mais variados estilos de decoração. Assim, iniciamos nossos posts de 2012: desejando que seja um ano simplesmente… brilhante. Em todos os sentidos.
Feliz Natal, Feliz 2012
Luti + Starck = Kartell
Essa parceria tem dado muito certo há uns 23 anos, por aí. O empresário italiano Claudio Luti, dono da Kartell (uma das maiores empresas de mobiliário do mundo) e o designer francês Philippe Starck, reconhecido mundialmente por seus projetos irreverentes e cheios de humor, formam uma dupla sólida e inspirada. Para nossa sorte.
Há duas semanas eles estiveram no Brasil, na loja da marca em SP, para o lançamento da cadeira Masters, eleita o novo ícone do design Kartell. E não é pra menos, esta cadeira é “o design em si”, é uma homenagem ao design. E é o maior sucesso de vendas da marca. Falei aqui no Ouvidoria dela, lembra? Vale reler o post, pois ali mostrei quais os “masters” do design que foram homenageados por esta cadeira de Starck. Ficou bem legal.
Kartell + Fortaleza = Ouvidor
O Brasil é foco do design internacional. Os ventos estão soprando a favor do produto autoral, do artigo de qualidade. São lançados todo ano 16 produtos novos, algo em torno disso. Nosso estado não está mais tão distante dos grandes pólos da indústria do design; pelo contrário, estamos cada vez mais próximos de tudo o que importa e acontece, em vários segmentos.
E tem mais. Muito em breve teremos notícias bem interessantes em Fortaleza. Uma loja exclusiva Kartell, by Ouvidor, por exemplo. Bom, né? Para saber destas e de outras novidades, fique ligado aqui no Ouvidoria; siga-nos no Twitter, curta nossa página no Facebook. A gente conta tudo pra você!
Wishes 2011
Sonho absoluto de consumo de quem adora moda e design, a marca italiana Missoni está surpreendendo mais uma vez, agora com a criação de kits lindos, perfeitos para presentear no Natal. Objetos de desejo!
São conjuntos com peças selecionadas: ícones da marca reestilizados, lançamentos exclusivos, tons e tramas e estampas que se complementam… E com um toque festivo que deixa tudo ainda mais irresistível.
Esta proposta para o Natal da Missoni Home se chama Wishes 2011. Dá pra imaginar o sucesso que estes mimos vão fazer debaixo de sua árvore, na sua festa em família, diante do seu amigo secreto?
Vale ver de perto, sabia? Sentir a textura, a maciez. As cores são muito mais vivas quando a gente vê estas peças ao vivo… Se você mora em Fortaleza, sorte: na Tecidos Ouvidor tem. Passe ali. Seus desejos (ainda estamos em 2011!) serão muito bem atendidos…
Descoberta de Colombo
Eu nunca havia ouvido falar em Joe Colombo. Uma falha talvez imperdoável para quem cuida de um blog de design e arquitetura. Mas poxa, sou apenas um ser humano, cheia de falhas. Pior ainda, sou uma publicitária! Hahaha…
E como tudo na vida a gente pode pensar e compensar, agora eu conheci e me apaixonei pela figura do Joe Cesare Colombo; pelo designer, pelo visionário. Me apaixonei assim, aquarianamente falando. Porque o cara só pensava à frente, sabe? O dia-a-dia dele era o amanhã. E sabe do que mais? Tenho quase certeza de que a esta altura já estou perdoada.
Joe Colombo era artista plástico por origem: participava do Movimento Nucleare, grupo de arte de vanguarda de Milão. Depois participou dos históricos manifestos do Art Concrete Group… E, finalmente em 1958, devido a uma série de fatores pessoais, artísticos e familiares, largou a pintura para se dedicar integralmente ao design. Aí rompeu paradigmas, anteviu formas, flertou com o improvável e se transformou em um grande mestre – senão o maior – do design italiano.
O milanês, de vida breve e profícua, foi considerado um revolucionário. Futuro era o arroz-com-feijão deste cara que, em seu aniversário de 41 anos, teve um ataque cardíaco e morreu – deixando de viver “de verdade” o futuro “de verdade”.
Entre tantas peças incríveis, destaca-se esta Elda Chair, onde ele aparece sentado na primeira foto. Veja que legal o esboço do artista para esta peça.
Destaque também para as peças modulares de rolo, as moderníssimas Universale Chair, os ambientes futuristas, nossa, é muita coisa. Neste artigo tem muitas peças dele, e aqui, no site do Design Museum tem mais ainda, além da história da vida do cara.
Mas eu queria me ater aqui a uma peça em específico: a Cadeira n. 4801, que foi projetada em 1964, feita com três elementos de madeira compensada encaixados, e tornou-se um símbolo autêntico do design nos anos sessenta. Sua fluidez antecipava as cadeiras de plástico que o designer criaria nos anos seguintes, como a Universale n. 4860 ou as flexíveis Tube Chair e Multi Chair.
Adoro os detalhes dos encaixes.
Exposta nos museus mais importantes do mundo, como o MOMA em Nova York, o Victoria & Albert em Londres e no Centre Pompidou em Paris, a Cadeira n. 4801 também é famosa por ser a única peça produzida pela Kartell inteiramente em madeira – material “incomum” para uma marca que nasceu com o diferencial de criar peças em plástico. Explicação? A 4801 fazia a madeira se contorcer como plástico, na boa…
Pois pronto. A Kartell está relançando o produto, agora em polipropileno, reproduzindo em su as mesmas proporções as curvas sinuosas que tanto impressionam desde os sixtie’s. Resultado: a icônica Cadeira n. 4801 está disponível, para quem ama arte e design, em série exclusiva e numerada, nas cores cristal, preto e branco.
Bem, como você deve ter percebido, eu adorei descobrir Joe Colombo. E, se por acaso você quiser explorar todo o charme 60′s da Cadeira n. 4801, dê um toque, deixe aí o seu recado. Ela está bem ali, na Loja Ouvidor, prontinha para ser descoberta.
Entrevista: Brenda Rolim
Se a casa da gente tem a nossa cara, imagino que o quarto da gente tenha a nossa alma. Pois é no quarto que repousamos, desnudos, desarmados. É onde despertamos, também, dia após dia. É ali, entre lençóis e travesseiros, que temos nossos sonhos, esperanças, devaneios. Dos mais cotidianos aos mais altaneiros. Um espaço como este merece atenção nos mínimos detalhes. Simplesmente porque a gente merece o melhor, só isso.
Neste aspecto, sinto que a arquiteta Brenda Rolim, autora do espaço Suíte do Casal, da Casa Cor Ceará 2011, pensa mais ou menos como eu. Ao visitar o ambiente me vi confortavelmente cercada de referências culturais e artísticas, com muita cor, ousadia, modernidade. E então, olhando para a cama, me veio um momento de repouso e serenidade: pelos tons, pelo toque, pela maciez, pela neutralidade – ao mesmo tempo tão intensa. Tudo ali é sensorialidade, porém de forma a contrariar e complementar todas as cores e objetos ao redor.
Gostei tanto que resolvi fazer uma mini-entrevista com Brenda Rolim, para compartilhar aqui com você, leitor do Ouvidoria. Vamos lá?
Ouvidoria: – Qual critério você utilizou para escolher a colcha?
Brenda: – Escolhi tecidos funcionais que aliassem alta qualidade ao conforto.
Ouvidoria: – É que normalmente vemos colchas com muita cor, estampa, enfeites… mas você optou por risca-de-giz, tons grafites e acinzentados. Gostaria de falar-nos sobre esta escolha?
Brenda: – Escolhi um conjunto mais neutro, pois o ambiente já abusa do colorido. E independente disto, eu gosto de artigos de cama, mesa e banho brancos. Em se tratando de risca de giz em 400 fios, é mais sofisticado do que qualquer colcha floreada. Não curto muito essas colchas cheias de “babados e bicos”, que são desconfortáveis, frágeis e inviáveis para o uso no dia-a-dia. A minha visão é de que deveríamos ter menos exibição e mais usufruto dos nossos lares, investir no que nos vai trazer prazer e não ter medo de usar. E isso nem sempre tira o glamour das nossas vidas, aliás o conjunto usado é um belo exemplo. Temos, além dos deliciosos lençóis 400 fios, uma pezeira lindíssima, com poás aveludados Casamance, e uma almofada Lacroix com uma obra de grafismo em preto e branco… O que pode ser mais luxo do que ter arte na cama?
Ouvidoria: – Qual sensação você espera/imagina que o cliente terá ao se deitar naquela cama?
Brenda: - A sensação de estar em casa… É só se jogar!
Ouvidoria: – A cama foi revestida toda em tecido. Ficou lindo, maravilhoso. Mas como fica a manutenção?
Brenda: – Esse tatame estofado é muito comum na Europa. Foi revestido com tecido, mas não é qualquer tecido. Trata-se de um seridó (um tipo de lona 100% algodão) lavável na máquina, um tecido super-resistente da JRJ, marca que investe em inovação e tecnologia de ponta, o que garante a qualidade e durabilidade do estofamento. Mas claro, tecidos, assim como madeiras, vernizes e lacas, não estão isentos de acidentes, por isso escolhi um tom mais escuro, ainda dentro da mesma paleta de cores utilizadas na colcha.
Ouvidoria: – Sobre a almofada Christian Lacroix, algo a declarar?
Brenda: – Já declarei antes de você perguntar… Inclusive estou muito apaixonada por ela! =)
Ouvidoria: – Eu também estou! Fiz inclusive um post sobre esta coleção do estilista para a Designers Guild. Mas enfim, adoraria que você falasse um pouquinho mais sobre este seu trabalho na Casa Cor, pode ser?
Brenda: – A decoração foi toda pensada de maneira a refletir um estilo de vida de um casal bem resolvido, culto e viajado, sem interesse na ornamentação despropositada. É composta apenas por livros e quadros – a maioria de artistas cearenses – que estão distribuídos pelos ambientes. Os móveis soltos também são pura arte, numa mistura contrastante e bem temperada. Fiz com que dividissem o mesmo espaço um banco de madeira-de-lei do famoso designer do período modernista brasileiro Sergio Rodrigues, uma banqueta bem pop com cor flúor do contemporâneo designer Tom Dixon, e a poltrona Nimrod da italiana Magis, de inspiração dos anos setenta. Na lateral existe uma encenação de janela, com um painel do artista Wilson Neto ao fundo, simulando uma vista da Praia de Iracema de maneira conceitual – e reforçando a idéia de que “obras de arte são janelas que nos transportam a mundos que a gente mesmo escolhe”. Sobre esse painel há ainda inserção de quadros com imagens componíveis à paisagem. Uma esquadria de montantes de madeira com vãos irregulares inspirada na obras de Mondrian e reposteiras de linho cru (também da Tecidos Ouvidor) completam a cenografia. Quis criar um espaço mais ousado e intrigante que o de praxe. Mesmo sabendo que provavelmente não agradaria a todos, me arrisquei, a fim de provocar emoção. Acho que está dando certo…
Ouvidoria: – Cá entre nós, Brenda, acho que deu muito certo, sim. Obrigada pela entrevista!
































