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Entrevista: Brenda Rolim

31/10/2011

Se a casa da gente tem a nossa cara, imagino que o quarto da gente tenha a nossa alma. Pois é no quarto que repousamos, desnudos, desarmados. É onde despertamos, também, dia após dia. É ali, entre lençóis e travesseiros, que temos nossos sonhos, esperanças, devaneios. Dos mais cotidianos aos mais altaneiros. Um espaço como este merece atenção nos mínimos detalhes. Simplesmente porque a gente merece o melhor, só isso.

Neste aspecto, sinto que a arquiteta Brenda Rolim, autora do espaço Suíte do Casal, da Casa Cor Ceará 2011, pensa mais ou menos como eu. Ao visitar o ambiente me vi confortavelmente cercada de referências culturais e artísticas, com muita cor, ousadia, modernidade. E então, olhando para a cama, me veio um momento de repouso e serenidade: pelos tons, pelo toque, pela maciez, pela neutralidade – ao mesmo tempo tão intensa. Tudo ali é sensorialidade, porém de forma a contrariar e complementar todas as cores e objetos ao redor.

Gostei tanto que resolvi fazer uma mini-entrevista com Brenda Rolim, para compartilhar aqui com você, leitor do Ouvidoria. Vamos lá?

Ouvidoria: – Qual critério você utilizou para escolher a colcha?

Brenda: – Escolhi tecidos funcionais que aliassem alta qualidade ao conforto.

Ouvidoria: – É que normalmente vemos colchas com muita cor, estampa, enfeites… mas você optou por risca-de-giz, tons grafites e acinzentados. Gostaria de falar-nos sobre esta escolha?

Brenda: – Escolhi um conjunto mais neutro, pois o ambiente já abusa do colorido. E independente disto, eu gosto de artigos de cama, mesa e banho brancos. Em se tratando de risca de giz em 400 fios, é mais sofisticado do que qualquer colcha floreada. Não curto muito essas colchas cheias de “babados e bicos”, que são desconfortáveis, frágeis e inviáveis para o uso no dia-a-dia. A minha visão é de que deveríamos ter menos exibição e mais usufruto dos nossos lares, investir no que nos vai trazer prazer e não ter medo de usar. E isso nem sempre tira o glamour das nossas vidas, aliás o conjunto usado é um belo exemplo. Temos, além dos deliciosos lençóis 400 fios, uma pezeira lindíssima, com poás aveludados Casamance, e uma almofada Lacroix com uma obra de grafismo em preto e branco… O que pode ser mais luxo do que ter arte na cama?

Ouvidoria: – Qual sensação você espera/imagina que o cliente terá ao se deitar naquela cama?

Brenda: – A sensação de estar em casa… É só se jogar!

Ouvidoria: – A cama foi revestida toda em tecido. Ficou lindo, maravilhoso. Mas como fica a manutenção?

Brenda: – Esse tatame estofado é muito comum na Europa. Foi revestido com tecido, mas não é qualquer tecido. Trata-se de um seridó (um tipo de lona 100% algodão) lavável na máquina, um tecido super-resistente da JRJ, marca que investe em inovação e tecnologia de ponta, o que garante a qualidade e durabilidade do estofamento. Mas claro, tecidos, assim como madeiras, vernizes e lacas, não estão isentos de acidentes, por isso escolhi um tom mais escuro, ainda dentro da mesma paleta de cores utilizadas na colcha.

Ouvidoria: – Sobre a almofada Christian Lacroix, algo a declarar?

Brenda: – Já declarei antes de você perguntar… Inclusive estou muito apaixonada por ela! =)

Ouvidoria: – Eu também estou! Fiz inclusive um post sobre esta coleção do estilista para a Designers Guild. Mas enfim, adoraria que você falasse um pouquinho mais sobre este seu trabalho na Casa Cor, pode ser?

Brenda: – A decoração foi toda pensada de maneira a refletir um estilo de vida de um casal bem resolvido, culto e viajado, sem interesse na ornamentação despropositada. É composta apenas por livros e quadros – a maioria de artistas cearenses – que estão distribuídos pelos ambientes. Os móveis soltos também são pura arte, numa mistura contrastante e bem temperada. Fiz com que dividissem o mesmo espaço um banco de madeira-de-lei do famoso designer do período modernista brasileiro Sergio Rodrigues, uma banqueta bem pop com cor flúor do contemporâneo designer Tom Dixon, e a poltrona Nimrod da italiana Magis, de inspiração dos anos setenta. Na lateral existe uma encenação de janela, com um painel do artista Wilson Neto ao fundo, simulando uma vista da Praia de Iracema de maneira conceitual – e reforçando a idéia de que “obras de arte são janelas que nos transportam a mundos que a gente mesmo escolhe”. Sobre esse painel há ainda inserção de quadros com imagens componíveis à paisagem. Uma esquadria de montantes de madeira com vãos irregulares inspirada na obras de Mondrian e reposteiras de linho cru (também da Tecidos Ouvidor) completam a cenografia. Quis criar um espaço mais ousado e intrigante que o de praxe. Mesmo sabendo que provavelmente não agradaria a todos, me arrisquei, a fim de provocar emoção. Acho que está dando certo…

Ouvidoria: – Cá entre nós, Brenda, acho que deu muito certo, sim. Obrigada pela entrevista!

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